Algumas considerações sobre o Caldeirão da Santa Cruz

sexta-feira, 12 de março de 2010


Todas as frases foram extraídas do livro
"Um beato líder: narrativas memoráveis do caldeirão",
do Professor Domingos Sávio de Almeida Cordeiro.

Os trechos abaixo, trazem uma visão parcial do que foi o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto.

A vida de José Lourenço, desde sua chegada a Juazeiro do Norte em 1890, perfaz uma trajetótia de uma liderança, influente e aglutinadora de grupos.

Aquela liderança de trabalhadores rurais "pobres e insubmissos, nas palavras de Rui Facó, tinha, entre outras características, um componente de sofrimento causado por ações injustas do Estado e perseguições das classes dominantes.



As "comunidades" organizadas por José Lourenço situavam-se na região do Cariri (Cariri Cearense - Sul do Ceará e Cariri Pernanmbucano). No Ceará: o Sítio Baixa Dantas, Cladeirão da Santa Cruz do Deserto e Mata dos Cavalos/ Sótio Cuzeiro - no Município de Crato; em Pernambuco, a União - no Município de Exú.       


O fato é que Juazeiro era uma "cidade perseguida", em termos religiosos pela ortodoxia católica do Ceará, contra o Pe Cídero, e em nível político pela imprensa e políticos da capital contra o Deputado Floro Bartholomeu.

O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto:

Dentre todos os espaços organizados por José Lourenço, o de maior visibilidade perante contemporâneos e remanescentes é o Caldeirão.

O Caldeirão foi uma comunidade camponesa, que existiu durante 10 anos, onde habitaram aproximadamente 1.700 pessoas. No início, era um pequeno grupo sob liderança do Beato, em torno da devoção à Santa cruz. Possuía um sistema de produção e distribuição  de bens básicos (víveres, instrumentos, oportunidades de trabalho, moradia e "alimento para o espírito")  com características de autogestão: "tudo era de todos", e, pressupõe-se, que não havia distinção entre dirigentes executantes do processo de produção.


Era uma comunidade auto-sustentável, onde se podia enxergar um exemplo materializado de utopia comunista. 

Ataque com bombardeio aéreo:

Foi o primeiro núcleo de trabalhadores rurais destruído pelas forças militares do Estado do Ceará com o uso de bombardeio aéreo por aviões da FAB.                                                                                                                        
A origem do nome Caldeirão:

O seu primeiro nome, Caldeirão, deriva de formações rochosas na parte mais baixa da área, em forma de grandes reservatórios que acumulam água quando chove. Santa Cruz tem a ver com a morte de dois missionários Jesuítas. [Mas há cintrovérsias sobre essa origem]



Falarei mais sobre o Caldeirão noutras postagens.

5 comentários:

SOS DIREITOS HUMANOS disse...

DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA...



"As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!" Otoniel Ajala Dourado



O MASSACRE APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA


No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi o MASSACRE praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato "JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA", paraibano de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.



O CRIME DE LESA HUMANIDADE


O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.


A AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELA SOS DIREITOS HUMANOS


Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é considerado IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, por isto a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos



A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO


A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.



AS RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5


A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;



A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA


A SOS DIREITOS HUMANOS, igualmente aos familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.


QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA


A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do "GEOPARK ARARIPE" mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?



A COMISSÃO DA VERDADE


A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.


Paz e Solidariedade,



Dr. Otoniel Ajala Dourado
OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
www.sosdireitoshumanos.org.br
sosdireitoshumanos@ig.com.br

histórias de Araticum disse...

me fascina muito essa história do calderão,não entendo porque ela e tão pouco divulgada.
guimarães

Francisco Robson disse...

histórias de Araticum,

De fato é uma história não muito lembrada (pra não dizer esquecida)... Aos poucos vamos falar mais sobre o Caldeirão aqui no História em Foco.

BiLL Braga disse...

ela não é tao divulgada pq "a memoria eh uma ilha de edição", como disse Waly Sailormon!
Vamos lutar para divulga-la ainda mais!
abraços

Valdecy Alves disse...

Olá

Veja matéria sobre o evento, no último dia 19/09/2010, que objetivou e objetiva o resgate da memória de Caldeirão, comunidade alternativa bombardeada e aniquilada pela aeronáutica brasileira. A exemplo de Canudos. Veja ainda o making off da captação das imagens para documentário que em breve estarei lançando. Acessar em:

http://valdecyalves.blogspot.com/2010/09/caldeirao-de-santa-cruz-do-deserto.html

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